segunda-feira, 25 de maio de 2015

Entrada no colégio



Já há algum tempo que, cada vez que as minhas amigas estavam comigo, olham-me com aquela expressão “tadinha que ar horrível” mas, abrirem a boca nem pensar. Até ao dia em que eu finalmente disse: “Ando um bocado cansada. Adoro o meu pimpolho mas o  cansaço está a matar-me.” Ai caíram manifestações de apoio e compreensão como nunca foi visto. “pois acredito” “também a fazeres tudo sozinha” “tens um ar um bocadinho cansado.” “Devias por o bebe numa escolinha” Bem… estão a imaginar… para elas caírem assim em cima de mim o meu ar devia meter susto ao próprio susto e naquele momento quem ficou super assustada foi mesmo eu. Esperava um “então mas que se passa?” “tens feito alguma coisa diferente?” mas um “pois o teu filhote está mesmo muito activo deves andar estafada” “Miúda tu ainda não paraste de andar atras dele desde que chegamos.” não era algo que esperava ouvir… quero dizer, pelo menos assim de choque, sem qualquer preparação primeiro, sem um “pois eles quando começam a andar ficam mais mexidos” E então veio aquele pensamento que andava a adiar há tempos, que queria entrar na minha cabeça aos poucos e eu simplesmente fazia de conta que ele não existia. “O pimpolho tem de ir para o colégio” Esperava de algumas pessoas algo como: “mas ele ainda é pequenino”, “porque não esperas mais uns mezinhos” Mas não… não tive qualquer apoio no meu adiar esta experiencia de deixar o pimpolho entregue a outras pessoas. Muito pelo contrario! Foi um role de “fazes bem”, “já ficaste muito tempo com ele”, “ele já teve tanta sorte, agora está na altura de ir brincar com outros meninos”, “não sejas egoísta ele tem de conviver com outros bebés” e aquele comentário que me fez acordar: “Mulher tu mete o miúdo num colégio senão dás contigo em doida. Tu és mãe e pai 24 sobre 24 horas, sete dias por semana 365 dias por ano. Sempre sozinha assim não descansas.” E depois de uns “olha que depois até tens mais disponibilidade para brincar com ele”, lá me decidi, sem qualquer apoio do papá do pimpolho, que era o único a achar que ele deveria ficar em casa, confesso, a ir na aventura de encontrar o infantário ideal, prefeito para o amor da minha vida. Foram dois mezinhos de luta e procura. E como em qualquer situação com bebes choveram conselhos de perguntas a fazer e de cuidados a ter na escolha. Apareceram imensos especialistas em infantários. “tu vê lá se tem todas as licenças”, “olha que é importante veres o que eles dão aos miúdos para comerem”, “vê onde fica a casa-de-banho com o trocador”, “vê se tem ginástica e outras actividade é muito importante” “pregunta quais os trabalhos que eles fazem durante o dia” Meu Deus fiquei fascinada com a quantidade de preocupações a ter. Que era necessário super cuidado com as questões legais, de higiene e de segurança sabia perfeitamente, agora os trabalhos que eles faziam. Se brincavam com vários tipos de materiais, se tinha horta para plantação, se faziam visitas de estudo, confesso que não foram de todo as minhas primeiras preocupações. Talvez por isso os dois mezinhos de decisão. Aqui para nós também o facto de querer aproveitar mais uns dias com o pimpolho. E a decisão foi tomada. Uma turminha simpática e calminha, uma educadora e uma auxiliar queridas e uma gama de actividades: Musica, psicomotricidade, dança educativa, ateliers e passeios. A acrescentar ás duas vezes por semana de natação, mas ai vai comigo. Com 19 mezinhos meu filhote tem uma agenda bem preenchida.
O pimpolho iniciou a sua vida escolar a 8 de Abril de 2015. Confesso que o primeiro dia e o segundo não foram muito difíceis. Eu entrei na sala estive um bocadinho com eles e depois fiquei a espera até irem almoçar na secretaria e levei o pimpolho para casa. Correu ate muito bem. “Ah afinal isto não é assim muito difícil. O pimpolho até se está a divertir”. Terceiro dia comeu também lá e comer muito bem. Cheguei a achar estranho que me tivessem dito que nos primeiros dias eu iria chora baba e ranho. Pois bem chegou o quarto dia. O verdadeiro dia. Aquele que põe à prova qualquer mama. Aquele que nos faz desejar pegar no pimpolho e correr dali para fora para não mais voltar. Aquele em que o pimpolho fica lá sozinho e nos vamos embora. Não imaginam a dor que é ter de entregar o pimpolho em prantos para as mãos da educadora. Ele no colo dela a chorar como se o mundo estivesse a acabar. A esticar os braços para nós a segurar-nos desesperadamente na roupa, a não nos deixar ir. Os olhinhos dele com a expressão de quem diz “por favor não me deixes aqui. Não me abandones. Porque me fazes isto?” Meu coração estava completamente partido. Os meus olhos lutavam para não deixar as lagrimas, que neles se formavam, escorrerem pela cara. E ao mesmo tempo meus lábios tinham de fazer um sorriso lindo e disser “Mama te ama muito meu amor. Vais brincar com os teus amiguinhos e a mama volta daqui a bocadinho. Eu também vou ter saudades de ti bebé. A mama volta sempre meu amor.” É uma dor para a qual ninguém nos prepara. E confesso que nessa altura percebi o olhar das pessoas quando dizia que o pimpolho ia começar o infantário no dia 8. Apesar de me dizerem “Que bom. Vais ver que ele vai gostar” a expressão não batia certo com as palavras. Foi a maior dor que senti na minha vida e nunca vou esquecer a carinha de terror do meu filhote, o olhar de profunda tristeza e a expressão de “porque me estas a abandonar.” Dizem que dor de parto é horrível confesso que a dor de deixar o meu filhote assim e ter de me vir embora é muito pior. Assim que comecei a descer as escadas e o filhote já não me via, aquelas lagrimas que estavam presas nos meus olhos soltaram-se e desceram pela cara como um rio sem fim. E chorei, chorei muito, tanto ao mais que o meu pimpolho lindo. Os dias seguintes foram mais fáceis mas só ligeiramente e ainda demorou para que eu não chegasse ao carro de olhos vermelhos.
Mas nem tudo é mau. Agora o pimpolho já pega na mochilinha para ir para o colégio. Faz sempre aquele abracinho apertado de não quer ficar mas assim que esta ao pé dos amiguinhos esquece-me. E o melhor momento do meu dia é quando o vou buscar e ele correr para os meus braços assim que me vê. Não há abraço mais delicioso que o do meu filhote lindo.

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